Ontem ao vir do trabalho encontrei um jornal onde a primeira página falava do dia 4 de Maio - Dodenherdenking (memorial aos mortos). Comecei a ler a notícia sobre o orgulho que o povo Holandês teve ao ver a rainha e a família real sair na frente do cortejo como se o atentado no dia 30 não tivesse assustado. No entanto, esta não foi a notícia que me emocionou, mas sim, uma notícia mais pequena sobre uma jornalista Holandesa que estava a mostrar à sua família Jordã como a Holanda celebra a monarquia. Tal como eu, elas viram o acidente ao vivo na televisão. Foi estranho ler que mais pessoas no mundo pensaram o mesmo que eu “por favor, que não seja um Muçulmano…”, para nós saiu um peso dos ombros quando anunciaram que tinha sido um autóctone. Não desejo mal a ninguém nem tento discriminar ninguém, por isso mesmo pensei isso. Na Holanda há sem dúvida alguma muita liberdade, mas isso também gera radicalismo, não fosse metade da população holandesa estrangeira ou descendentes. Na altura que assassinaram van Gogh a Holanda passou por um período de tensão, qualquer treta era motivo para guerras underground e para culpar uma ou outra etnia ou religião, os muçulmanos foram os mais afectados. Acho que ninguém deseja passar pelo mesmo outra vez, e tendo em conta que foi um atentado à Rainha, isto geraria, sem dúvida alguma, um período ainda pior. Ainda bem que não.Apesar de todas estas tenções existirem, neste país, o dia do memorial aos mortos é um dia que afecta todos. E este ano chorei que nem ovelha desgarrada. As bandeiras a meia haste por quarteirões sem fim, às 20 horas os sinos de todas as igrejas, independente do credo, a repique, a nação em silêncio total por dois minutos (quando digo nação não estou a exagerar) e na praça da capital centenas de pessoas em luto. Não há credos nem etnias, não há pretos ou brancos, punks ou geeks e muito menos idades, dos 0 aos 100 todos se juntam para
mostrar respeito àqueles que morreram nas guerras para nós termos o que temos hoje. Isto é como se mostra que uma nação é democrática; apesar de todos os problemas, num dia destes, pelo símbolo que se lhe deu, tudo se põe de lado e o respeito e sobriedade é forca maior. Chorei porque este ano, devido ao atentado 3 dias antes, este sentimento foi ainda maior. Depois de 50 anos, pela primeira vez houve aplausos por uma família real que saiu mais uma vez em frente ao cortejo, possivelmente arriscando a sua vida por um dia que tanto respeito impõe em todos nós. Chorei …Portugal tem muito ainda que aprender…
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